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Governador Valadares - MG
Sábado, 10 de Dezembro de 2016
Saúde
Diabetes atinge mais de 100 mil mineiros
Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde

Foto ilustrativa
Perda de peso repentina, sede constante, fome intensa, cansaço e vontade de urinar toda hora. Esses são os principais sintomas do Diabetes, doença que afeta cerca de 10% da população mineira e atinge mais de 100 mil pessoas, apenas em Belo Horizonte.

Com o objetivo de alertar a população sobre os cuidados para evitar a doença e impedir que ela se agrave, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, promovem nesta sexta-feira (12), das 13h às 17h, ações de mobilização no segundo andar da Rodoviária de Belo Horizonte. O Dia Mundial do Diabetes é celebrado oficialmente em 14 de novembro.

O evento vai contar com a colaboração dos times do futebol mineiro, parceria que vem dando certo no combate à dengue e está sendo estendida a outros problemas de saúde pública. De acordo com o coordenador estadual de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus da SES-MG, Ailton Cesário Alves Júnior, a rodoviária se mostra o local mais adequado para esse tipo de ação.

“Lá conseguiremos atingir um número maior de pessoas, especialmente por se tratar de uma sexta-feira que antecede o feriado”, explica ele. Entre as atividades programadas estão a distribuição de material educativo, palestras sobre aplicação de insulina e avaliação do risco da pessoa desenvolver diabetes pelos próximos 10 anos.

O futebol, por ser uma paixão do brasileiro, consegue despertar o interesse das pessoas que, às vezes, por pressa, não dão a devida atenção a eventos como esse. “Atlético, Cruzeiro e América vão disponibilizar os mascotes para chamar a atenção das pessoas para o tema”, revela Ailton Júnior.

O Hiperdia, um dos programas estruturadores da saúde estadual, é responsável por coordenar a estruturação da Rede de Atenção à Saúde dos portadores de Hipertensão e Diabetes e das ações em nível da Atenção Primária à Saúde. Para isso são implementados os Centros Hiperdia, que são os locais de referência para tratamento dos casos desses agravos.

O programa tem como objetivo ampliar a longevidade e melhorar a qualidade de vida da população mineira, pela diminuição da morbimortalidade por Doenças Cardiovasculares, Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e Doença Renal Crônica.

A doença

O Diabetes se caracteriza pelo nível elevado de açúcar no sangue, sendo dividida basicamente em dois tipos: 1 e 2. O Diabetes Tipo 1 afeta principalmente pessoas com menos de 30 anos de idade e está relacionado a uma insuficiência do pâncreas, que deixa de produzir insulina (hormônio responsável por regular a quantidade de glicose existente no organismo).

Por se tratar de uma doença autoimune - quando o próprio organismo destrói as células produtoras da insulina -, o paciente deve fazer a reposição do hormônio, diariamente, durante a vida toda para que o nível de glicose no sangue se adeque às necessidades do organismo.

O Tipo 2 está relacionado a fatores hereditários e tem maior incidência em pessoas com mais de 40 anos de idade. Nesse caso, o organismo continua produzindo insulina, mas não consegue metabolizar a glicose em níveis satisfatórios.

Nos casos mais amenos, não é necessário que o paciente faça injeções do hormônio, sendo suficiente controlar a alimentação com uma dieta específica e exercícios físicos. Já nos mais severos, pode haver necessidade de ingestão de medicamentos orais ou a combinação destes com injeções de insulina. Hábitos alimentares, obesidade e sedentarismo estão intimamente ligados ao aparecimento desse tipo de Diabetes, que é cerca de oito a dez vezes mais comum que o Tipo 1.

A psicóloga Talitha Veneroso, descobriu que tinha Diabetes Tipo 1 aos 18 anos, depois de uma crise de sinusite. “O quadro se agravou e em questão de dois dias emagreci cerca de 10 quilos. Fiquei desidratada e me sentia muito fraca”, lembra. Após procurar atendimento médico, ela soube que estava com cetoacidose diabética, um dos problemas decorrentes da glicose muito alta, que pode levar à morte. “Passei um dia no CTI para estabilizar o quadro e mais uma semana internada para ser reidratada e realizar os exames que pudessem determinar o tipo de diabetes e a quantidade de insulina que precisaria utilizar”, lembra a psicóloga.

Por causa da doença, Talitha teve que mudar os hábitos, principalmente alimentares. “Quando adolescente eu passava longe de uma alimentação saudável. Não comia saladas, nem frutas e adorava refrigerantes e doces. Tive que me observar mais e conhecer melhor o meu corpo e minhas necessidades. Isso foi essencial para me adaptar às injeções de insulina e ao monitoramento da glicose, que são diários e totalmente necessários”, afirma.

Talitha reconhece a importância de se alimentar bem e seguir as orientações médicas para continuar tendo uma vida normal. “Foi muito difícil, principalmente no início, conviver com a doença e as limitações que ela me impôs. Mas, tento ver as restrições da doença como um modo de ampliar horizontes e aumentar as chances de uma vida mais saudável. O Diabetes é uma doença crônica, mas a ciência tem evoluído bastante e a cura parece estar cada vez mais próxima. Aí, é preciso que o diabético esteja bem, para aproveitar todos os benefícios que possam surgir”, aconselha.

Para evitar o problema, é fundamental que as pessoas mantenham uma alimentação adequada e pratiquem atividades físicas regularmente. Isso inclui incorporar na alimentação diária a maior quantidade possível de alimentos ricos em fibras, tais como frutas e verduras.

O Diabetes, quando não tratado, pode provocar sequelas muito graves, como cegueira, problemas renais e amputações. Para diminuir a possibilidade dessas complicações, é importante que o diagnóstico seja feito precocemente. “É fundamental que o paciente seja acompanhado pela equipe de saúde a fim de controlar a doença e evitar as possíveis complicações”, completa o coordenador Ailton Júnior.

Estima-se que, no Brasil, cerca de cinco milhões de indivíduos adultos com Diabetes desconheçam que são portadores da doença, sendo ela identificada apenas em estágio mais avançado, o que aumenta os riscos de complicações, como cegueira, infartos, falência renal, AVC (Acidente Vascular Cerebral) e amputações.

Distribuição de insumos

A SES-MG fornece, gratuitamente, insumos para o auto-monitoramento do Diabetes Tipo 1. Por meio da Rede Farmácia de Minas são distribuídas insulinas (NPH e Regular), seringas, lancetas (que servem para verificar a glicemia capilar), tiras reagentes e glicosímetro (aparelho medidor de glicose).

A Secretaria de Estado de Saúde também financia e distribui as insulinas Glargina e Detemir e repassa aos municípios alguns medicamentos orais, para tratamento de casos de Diabetes Tipo 2. “Para ser beneficiado, o usuário deve procurar o centro de saúde mais próximo da residência, onde ele obterá as orientações para recebimento gratuito dos medicamentos e insumos prescritos pelo médico”, informa Ailton Júnior.

Talitha Veneroso recebe mensalmente a insulina que utiliza, bem como as seringas, as tiras reagentes para a medição da glicose sanguínea e o glicosímetro, que serve para medir a glicose no sangue.

“Tenho que tomar injeções diárias de insulina, sem as quais minha glicose alcança níveis altíssimos. Também tenho que seguir uma dieta com restrições de açúcar, gorduras e calorias. Preciso também fazer refeições, no máximo, de três em três horas, para evitar quedas bruscas de glicose, além de ter que fazer exercícios físicos moderados diariamente”, finaliza a psicóloga.
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